O falecimento do escritor Manoel Carlos, aos 92 anos, ocorrido neste sábado (10-jan), trouxe à luz uma disputa legal que estava sendo mantida em sigilo entre a família do autor e a TV Globo. O conflito começou em setembro de 2025, quando a produtora Boa Palavra, fundada por Júlia Almeida, filha do escritor, entrou com um processo contra a emissora na Justiça do Rio de Janeiro.
No processo, os herdeiros questionam a falta de transparência nos repasses financeiros referentes aos direitos autorais das obras de Manoel Carlos. Segundo a família, não há clareza sobre os valores pagos pela Globo, especialmente diante das constantes reprises de novelas de grande audiência, como Laços de Família e Por Amor.
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Além de Júlia Almeida, outra filha do autor, Maria Carolina, também teria manifestado insatisfação com a forma como Manoel Carlos passou a ser tratado pela emissora após a recepção negativa de sua última novela, Em Família. Na avaliação da família, o escritor foi gradualmente deixado de lado, sem o reconhecimento considerado compatível com sua contribuição histórica para a teledramaturgia brasileira.
O distanciamento se intensificou em 2022, quando a Globo produziu o documentário Tributo, em homenagem à carreira do autor, sem a participação dele ou de suas filhas. De acordo com os familiares, o projeto só foi descoberto por meio de terceiros.
Como resposta, a produtora Boa Palavra lançou o documentário O Leblon de Manoel Carlos, disponível no YouTube, com depoimentos de artistas como Taís Araújo e Vera Fischer, apresentando o legado do autor sob a perspectiva da família.
Manoel Carlos morreu no Rio de Janeiro. A família confirmou a informação. O escritor enfrentava a doença de Parkinson, que agravou seu estado motor e cognitivo ao longo do último ano. Até o momento, a causa da morte não foi divulgada.
