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Saneamento básico em Manaus: os desafios de uma cidade que avança na água, mas ainda busca universalizar o esgoto

Por: *Fábio Costa

Redação Zh – (material exclusivo) – Manaus vive um dos maiores desafios de infraestrutura urbana da sua história: ampliar o saneamento básico em uma cidade de crescimento acelerado, marcada por áreas de difícil acesso, becos, palafitas e uma extensa rede de igarapés que sofre com a ocupação urbana.

Nos últimos anos, porém, a capital amazonense passou por uma expansão significativa dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário. A Águas de Manaus, concessionária responsável pelos serviços, afirma ter investido mais de R$ 2,4 bilhões desde 2018, com ações voltadas à ampliação das redes, tratamento de água e esgoto e atendimento às áreas mais vulneráveis.

Água tratada chega à população

Um dos principais avanços apontados pela concessionária foi a universalização do abastecimento de água tratada, alcançada em 2023. O desafio agora é manter essa cobertura diante do crescimento da cidade e levar o serviço para novas áreas regularizadas.

Em março de 2026, a Águas de Manaus anunciou uma nova etapa do programa +Águas, com investimentos superiores a R$ 150 milhões. A previsão é beneficiar mais de 180 mil pessoas até 2029. Somente em 2026, estão previstos mais de 80 quilômetros de novas redes, alcançando cerca de 60 mil moradores de 16 comunidades.

A empresa também informa que realiza diariamente análises da água distribuída à população, com equipes que coletam amostras em diferentes bairros para verificar o atendimento aos padrões de potabilidade estabelecidos pelo Ministério da Saúde.

O grande desafio ainda é o esgoto

Se o abastecimento de água avançou, o esgotamento sanitário continua sendo um dos principais gargalos de Manaus.

Dados apresentados pela Prefeitura apontavam que a cobertura havia saído de 16% em 2021 para mais de 35% em 2025, com expectativa de chegar próximo de 40%. Para os próximos anos, a meta estabelecida pelo programa Trata Bem Manaus é alcançar 90% de cobertura até 2033.

A própria documentação do Plano Municipal de Saneamento mostra que ainda existe uma diferença importante entre a disponibilidade da rede e a efetiva conexão dos imóveis ao sistema de esgoto.

Esse cenário revela a dimensão do problema: não basta construir tubulações. É necessário conectar os imóveis, ampliar as estações de tratamento, fiscalizar as ligações e garantir que o esgoto produzido diariamente seja efetivamente coletado e tratado.

Investimentos e expansão das redes

O programa Trata Bem Manaus, iniciado em 2024, prevê uma grande expansão da infraestrutura de esgoto. Segundo informações divulgadas pela Prefeitura, estão previstos mais de 2,7 milhões de metros de redes coletoras e a construção ou ampliação de 70 Estações de Tratamento de Esgoto, com investimentos estimados em aproximadamente R$ 2 bilhões.

Em 2026, obras também chegaram a regiões consideradas mais complexas para a implantação da infraestrutura. No bairro Redenção, por exemplo, a Ageman acompanhou a implantação de uma rede de esgoto em uma área de rip-rap, com previsão de 1.200 metros de rede coletora.

Saneamento também significa cuidar dos igarapés

Em uma cidade cercada por rios e igarapés, o saneamento tem impacto direto no meio ambiente.

A expansão da coleta e do tratamento de esgoto pode reduzir o lançamento de resíduos diretamente nos cursos d’água e contribuir para a recuperação ambiental de áreas degradadas.

Segundo a Águas de Manaus, atualmente são tratados mais de 63 milhões de litros de esgoto por dia antes do retorno da água ao meio ambiente. A empresa relaciona a expansão do serviço à recuperação dos igarapés e à melhoria das condições ambientais da capital.

Saneamento e inclusão social

Outro ponto que ganhou espaço nas ações da concessionária é o atendimento às famílias de baixa renda.

O programa Tarifa 10 oferece água e esgoto por valor reduzido para famílias em situação de vulnerabilidade. Em 2026, a empresa informou que o programa já havia impactado mais de 100 mil pessoas.

Em 2025, a concessionária também informou que mais de 138 mil pessoas já haviam sido beneficiadas pelo programa desde sua criação, em 2023.

Uma cidade que ainda precisa avançar

Os números mostram uma realidade com dois lados. Manaus avançou significativamente na distribuição de água tratada e ampliou os investimentos em esgotamento sanitário, mas ainda existe um grande caminho até que o serviço de coleta e tratamento de esgoto esteja disponível para a maioria da população.

O desafio envolve não apenas a Águas de Manaus, mas também o poder público, a agência reguladora e os próprios moradores. A expansão das redes precisa ser acompanhada de fiscalização, ligação dos imóveis, manutenção da infraestrutura e planejamento urbano.

Em junho de 2026, a Câmara Municipal de Manaus aprovou uma nova Política Municipal de Saneamento Básico, alinhada ao Marco Legal do Saneamento, contemplando água, esgoto, resíduos sólidos e drenagem urbana.

Para uma cidade do tamanho de Manaus e localizada no coração da Amazônia, saneamento básico não é apenas uma questão de infraestrutura. É saúde pública, proteção ambiental, qualidade de vida e planejamento para o futuro.

Fotos: Reprodução

*Fábio Costa é jornalista e editor chefe do Portal Zero Hora Amazonas
Formado em Jornalismo e especialista em Gestão Pública pela Universidade do Estado do Amazonas 

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