As cientistas Emilly Juliana Sales Pereira de Lima e Mariana Vieira Mitozo, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), foram homenageadas por suas trajetórias na ciência, desde a Iniciação Científica Júnior ao doutorado, durante o Sarau Científico e Tecnológico promovido pelo Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).
Reconhecimento e inspiração
A Prof.ª Dra. Mariana Vieira Mitozo, de 29 anos, é docente visitante no Programa de Pós-Graduação em Letras e Artes (PPGLA) da UEA, onde pesquisa literatura e artes produzidas na Amazônia.
Sua trajetória na ciência começou aos 17 anos, no Programa Ciência na Escola (PCE), e seguiu até o doutorado. “Comecei como estudante, uma menina, descobrindo a ciência”, disse.
Com uma carreira construída com incentivo e apoio, Mariana já acumula conquistas importantes. Ao receber a homenagem, dedicou o reconhecimento às mulheres presentes, reforçando que o prêmio era coletivo.
Também agradeceu à Fapeam pelo suporte ao longo de sua trajetória, destacando a importância da fundação para garantir segurança e inclusão às mulheres pesquisadoras.

“A Fapeam, quando se diz que tem ciência, ela não tem somente o financeiro que nos dá o subsídio para ter a missão, mas ela também nos dá a segurança, a inclusão, a noção de que podemos atuar como pesquisadora, que é uma área que, na verdade, ainda é muito vaga no Brasil. Então, digo que, hoje, essa premiação, essa homenagem, me ajuda a ter coragem de continuar inspirando meninas e, também, abrindo portas como professora e pesquisadora”, finalizou.
Já a doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Biotecnologia – Rede Bionorte (PPG-Bionorte) da UEA, Emilly Juliana Sales Pereira de Lima, de 30 anos, iniciou sua trajetória científica aos 13 anos, também por meio do Programa Ciência na Escola (PCE).
Em seu discurso, destacou a própria trajetória de superação.

“A Emilly de 30 anos, a mulher de 30 anos, jamais imaginaria que chegaria até aqui. Nunca soube, de fato, onde queria chegar ou onde podia chegar, mas eu sei que não era ali, onde estava, que queria ficar. E é nesse sentido que sempre fui buscando melhorias no meu trabalho”, disse.
Vinda de uma área periférica e filha de mãe solo, Emilly agradeceu às pessoas que contribuíram para sua caminhada, como orientadores, professores e, especialmente, sua mãe.
Segundo ela, tudo o que se tornou hoje é fruto da força e do exemplo materno.
“E mais do que nunca, hoje quero dizer que se eu conseguir incentivar ou influenciar pelo menos uma menina ou mulher, o meu trabalho já terá sido feito e o resto é só consequência”, finalizou.
Lançamento de editais
A solenidade também marcou o lançamento de dois editais exclusivos para mulheres, totalizando um investimento de R$ 3.869.400,00 no âmbito do “Movimento Mulheres e Meninas na Ciência 2026”.
O primeiro edital anunciado foi o Programa Amazônidas – Mulheres e Meninas na Ciência 2026, com investimento de R$ 1.500.000,00.
A iniciativa busca estimular o protagonismo de pesquisadoras dos municípios do interior do Amazonas na coordenação de projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I).
Serão selecionadas propostas inovadoras, de alto impacto, que integrem conhecimento científico, risco tecnológico e soluções para desafios da região amazônica. As inscrições começam dia 1º de abril, com previsão de apoio a 10 projetos.
Já o segundo edital lançado, de forma inédita, durante o evento, terá um investimento de R$ 2.369.400,00.
Trata-se do “Programa de apoio à liderança feminina na inovação e sustentabilidade da Amazônia (Lidera Cientista/AM)”, que visa fomentar projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação voltados à criação de produtos, serviços ou processos inovadores.
As propostas devem ser conduzidas por pesquisadoras com título de doutorado, vinculadas a instituições de pesquisa e/ou ensino superior, centros de pesquisa, empresas ou órgãos públicos ou privados sem fins lucrativos sediados no Amazonas.
A estimativa também é apoiar 10 projetos, com inscrições a partir de 30 de março.

