Redação ZH – Envira (AM) – O que era uma crítica em tom de crônica virou um verdadeiro escândalo político no município. A falta de funcionamento adequado do Portal da Transparência da Prefeitura de Envira, interior do Amazonas, voltou ao centro das atenções após um jornalista local denunciar dificuldades para acessar informações públicas e, logo depois, afirmar ter sido alvo de ameaça por parte de um assessor ligado à gestão municipal.
Segundo o comunicador, há mais de um ano ele tenta consultar dados básicos, como despesas, folha de pagamento e relatórios administrativos, sem sucesso. Durante sua manifestação, ele cobrou diretamente a gestão do prefeito Ivon Rates, reforçando que a transparência pública não é opcional, mas uma obrigação prevista em lei.
A situação, no entanto, ganhou contornos ainda mais graves após a repercussão das críticas. O jornalista afirma ter recebido mensagens de um assessor do prefeito, identificado como “Zogue”, contendo ofensas e uma declaração considerada ameaçadora. Em um dos áudios, o assessor afirma que “não é qualquer malandro que vai entrar no site da prefeitura” e que as críticas poderiam “custar caro”, levantando suspeitas de tentativa de intimidação contra o exercício da atividade jornalística.
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Diante da repercussão, o caso chamou a atenção do Ministério Público. O promotor de Justiça Christian Guedes confirmou que já existe um procedimento em andamento para acompanhar a situação do Portal da Transparência da Prefeitura de Envira. Segundo ele, o caso está sob análise e segue sendo monitorado, destacando que denúncias e manifestações da população são fundamentais para o avanço das investigações.
O episódio elevou a tensão política em Envira e acendeu o alerta sobre liberdade de imprensa e acesso à informação no município. Enquanto o jornalista sustenta que apenas cumpre seu papel de fiscalizar o uso do dinheiro público, a confirmação da atuação do Ministério Público reforça que a questão da transparência já ultrapassou o campo político e entrou na esfera institucional.
Agora, a população aguarda respostas. A expectativa é que o Portal da Transparência volte a funcionar plenamente e que os fatos sejam esclarecidos, garantindo o direito básico de acesso às informações públicas — um princípio essencial para qualquer gestão comprometida com a legalidade e a democracia.
