A pesquisa eleitoral realizada pelo Instituto Phênix, em parceria com Portal do Generoso, que aponta crescimento do governador do Amazonas, Wilson Lima (UB), foi assinada pelo estatístico Augusto da Silva Rocha, que teve o nome envolvido em denúncia feita pelo Conselho Regional De Estatística da 4ª Região (PR – SC- RS)/ Conre 4.
O Instituto Phoenix tem como responsável José Juvenil Coelho, condenado a dois anos de prisão por crime eleitoral. Ele alega inocência.
Desde 2016, o Instituto responde a várias ações judiciais por suspeitas de fraudar pesquisas. O instituto não tem site oficial, e alimenta, a cada dois anos, uma página no Facebook com resultados das sondagens que assina pelo Brasil.
Nas eleições de 2020, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspendeu a divulgação de uma pesquisa para a Prefeitura de Taubaté.

“Erros grosseiros”
O juiz Jorge Alberto Passos Rodrigues considerou erros grosseiros no questionário, como o nome de uma das candidatas escrito de forma errada.
Além disso, o instituto não apresentou a nota fiscal do serviço. O caso se trata de apenas um dos exemplos das pesquisas do Phoenix condenadas pela Justiça Eleitoral.
Em 2018, o Instituto teve uma pesquisa proibida pelo juiz Bartolomeu Ferreira de Azevedo Júnior, do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TER).
De acordo com o juiz, a pesquisa não indica de forma objetiva a base pública de dados e nem há delimitação clara da área física abrangida. O juiz também afirmou que, no registro apresentado à Justiça Eleitoral, não foram disponibilizados os discos com os nomes dos candidatos.
Ainda de acordo com Bartolomeu Ferreira Júnior, a nota fiscal do serviço não foi incluída na documentação. O instituto apresentou apenas um único recibo, considerado pelo juiz como “de validade jurídica questionável”, e que possui dados diferentes dos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Pesquisas cheias de irregularidades
Na Ata 872, de 29 de outubro de 2020, o Conselho Regional De Estatística da 4ª Região (PR – SC- RS)/ Conre 4, informou que o estatístico Augusto da Silva Rocha, “tem atuado como responsável técnico junto à diversas empresas irregulares, viabilizando o registro de pesquisas eleitorais por empresas que não possuem habilitação para exercer atividades estatísticas”.
Também informou que “além disso, foi verificado que várias pesquisas cadastradas pelo Estatístico possuem irregularidades metodológicas, que inclusive foram alvo de denúncia por parte deste Conselho junto ao Ministério Público Eleitoral. Por fim, verificou-se que muitas das pesquisas realizadas pelo Estatístico na 4ª Região tiveram a divulgação suspensa pela Justiça”.
Denúncia publicada pelo O Globo
O caso também foi denunciado, à época, pelo jornal O Globo. Segundo a publicação, Augusto da Silva Rocha coordenou 937 pesquisas eleitorais em 2020. O número foi considerado recorde no País, superando institutos como o Ibope e o DataFolha.
A maioria das pesquisas assinadas pelo estatístico foi financiada pelos próprios institutos contratados e a preços abaixo do que são geralmente praticados.
Ainda conforme o Conre 4, as suspeitas são de que Augusto empresta o nome para validar pesquisas fabricadas, que atendem a interesses de quem contrata os referidos institutos
