12 de julho de 2026 | 14:41

Pesquisadora do INPA conquista prêmio internacional por estudo que aponta potencial do samburá no combate ao diabetes

Kemilla Sarmento Rebelo ganhou prêmio por pesquisa (Foto: Divulgação)

Redação Zh – A pesquisadora Kemilla Sarmento Rebelo, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), recebeu reconhecimento internacional após conquistar o prêmio MZ Mustafa for Young Researcher in Meliponitherapy, concedido pela International Bee Research Association (IBRA). A premiação destacou um estudo inovador que revela o potencial do samburá, produto produzido por abelhas sem ferrão, no tratamento do diabetes.

A pesquisa demonstrou, pela primeira vez em testes pré-clínicos com animais obesos, que o samburá é capaz de reduzir a glicemia de jejum e promover alterações na microbiota intestinal associadas à melhora do metabolismo da glicose. Os resultados indicam que o produto pode se tornar um importante aliado no combate ao diabetes, embora ainda sejam necessários estudos clínicos para confirmar sua eficácia em seres humanos.

A cerimônia de entrega do prêmio ocorreu no dia 18 de junho, durante o encerramento do ISSB IBRA 2026 – International Symposium on Stingless Bees, realizado de forma on-line, com sede na Grécia. O reconhecimento é destinado a jovens cientistas que se destacam por pesquisas de excelência envolvendo produtos derivados de abelhas sem ferrão.

Além do prêmio, Kemilla recebeu um exemplar da obra Stingless Bee Therapeutic Biomaterials: Novel Anti-Antimicrobial-Resistant Agents (Springer Nature, 2026) e uma assinatura eletrônica de um ano do Journal of Apicultural Research, publicação da Taylor & Francis oferecida pela IBRA.

Conhecido como o “pólen das abelhas sem ferrão”, o samburá é produzido por espécies nativas da Amazônia e ainda é pouco estudado pela ciência. Segundo a pesquisadora, os resultados obtidos mostram que as mudanças provocadas pelo produto na microbiota intestinal estão diretamente relacionadas à melhora do metabolismo sistêmico da glicose.

“A modificação da microbiota intestinal foi associada à melhoria do metabolismo sistêmico da glicose, indicando grande potencial do samburá para uso por pessoas com diabetes”, destacou Kemilla.

Professora e orientadora do Programa de Pós-Graduação em Agricultura no Trópico Úmido do Inpa, ela afirma que o reconhecimento internacional fortalece as pesquisas sobre produtos das abelhas sem ferrão, um campo ainda pouco explorado.

“Existem mais de 500 espécies de abelhas sem ferrão no mundo, mas ainda há poucas pesquisas sobre o samburá. O Amazonas possui a maior diversidade dessas abelhas, e o potencial científico e econômico é enorme. Ainda há muito a descobrir sobre o samburá produzido por cada espécie. Receber esse prêmio é motivo de grande alegria e honra”, afirmou.

O Inpa mantém uma coleção viva de abelhas sem ferrão e desenvolve pesquisas voltadas para nutrição, saúde e bioeconomia, buscando ampliar o conhecimento sobre os produtos produzidos por essas espécies nativas da Amazônia.

Kemilla Rebelo integra o quadro de pesquisadores do Inpa há cerca de um ano, após consolidar sua carreira como professora da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). O estudo premiado foi desenvolvido durante seu doutorado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), período em que também realizou parte da pesquisa na Universidade de Copenhague, na Dinamarca.

A trajetória científica da pesquisadora contou ainda com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), que concedeu bolsa para o desenvolvimento da pesquisa, contribuindo para um trabalho que agora ganha reconhecimento internacional e reforça o potencial da biodiversidade amazônica na busca por novas alternativas para o tratamento de doenças.

 

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