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14 de junho de 2026 | 17:25

ALERTA: Rio Amazonas registra mudanças sem precedentes e preocupa cientistas com aumento de cheias extremas

Redação Zh – O Rio Amazonas, considerado o mais volumoso do planeta e dono da maior bacia hidrográfica do mundo, está passando por transformações que acendem um alerta entre pesquisadores. Um estudo internacional revelou que as cheias nas planícies de inundação da Amazônia estão se tornando cada vez mais intensas, impulsionadas pelas mudanças climáticas e pela alteração no regime de chuvas da região.

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Com cerca de 6.900 quilômetros de extensão, desde os Andes peruanos até o Oceano Atlântico, o Amazonas chega a despejar, em média, 160 mil metros cúbicos de água por segundo na altura de Óbidos (PA), volume equivalente à soma da vazão dos sete maiores rios do mundo.

Durante o período de cheia, que pode durar de três a oito meses por ano, o rio invade extensas áreas de várzea, distribuindo sedimentos e nutrientes essenciais para a floresta amazônica e para as comunidades ribeirinhas. No entanto, nas últimas décadas, esse ciclo natural passou a apresentar extremos cada vez mais frequentes.

Cheias estão mais fortes desde 2005

A pesquisa, conduzida por hidrólogos do Brasil, França e Reino Unido, analisou dados coletados entre 1970 e 2023 utilizando imagens de satélite, medições de nível e vazão do rio, além de modelos computacionais de alta precisão.

Os resultados mostram que, entre 2005 e 2023, a vazão do Rio Amazonas aumentou cerca de 4,7% em comparação ao período anterior. Nas áreas de várzea, porém, esse crescimento foi muito maior.

Na planície do Lago Grande do Curuai, em Santarém (PA), o aumento chegou a impressionantes 60%, uma ampliação proporcional cerca de 13 vezes superior à registrada no próprio rio.

Segundo a coordenadora do estudo, a hidróloga Alice Fassoni de Andrade, da Universidade de Brasília (UnB), os impactos dessas mudanças ainda são pouco conhecidos.

Vazão nas várzeas surpreende pesquisadores

Durante expedições de campo, os cientistas registraram números considerados extraordinários. No Lago Grande do Curuai, a vazão alcançou quase 17 mil metros cúbicos por segundo, valor semelhante ao fluxo médio do Rio Mississippi, nos Estados Unidos.

Os pesquisadores descobriram ainda que pequenas alterações no nível do Amazonas podem provocar aumentos muito maiores nas áreas alagadas, devido às características rasas das planícies de inundação.

Mudanças climáticas intensificam extremos

Especialistas afirmam que o comportamento observado acompanha projeções do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que apontam aumento dos eventos extremos na Amazônia.

Além das enchentes históricas registradas em 2009 e 2021, a região enfrentou a seca recorde de 2023, quando diversos lagos da Amazônia Central atingiram temperaturas superiores a 40°C, provocando a morte de centenas de botos e reduzindo significativamente a área coberta por água.

Ao mesmo tempo, estudos recentes indicam que a extensão das áreas alagadas durante as grandes cheias cresceu cerca de 26% desde 1980.

Impactos para fauna e comunidades

O aumento da velocidade da água nas planícies pode acelerar processos de erosão, transporte de sedimentos e deslocamento de matéria orgânica, alterando profundamente os ecossistemas da várzea.

Espécies de peixes que dependem de águas mais calmas, como o pirarucu, o tucunaré e o acará-açu, podem ser afetadas, enquanto outras espécies ainda terão seus impactos avaliados.

Pesquisadores também alertam para a importância da vegetação das várzeas, que atua como uma barreira natural contra a força das enchentes. A preservação dessas áreas é considerada fundamental para reduzir os impactos sobre a biodiversidade e as populações ribeirinhas.

Monitoramento será essencial

Os cientistas defendem a criação de um sistema permanente de monitoramento das vazões nas planícies de inundação, algo que ainda não existe em grande escala.

As informações obtidas deverão subsidiar políticas públicas voltadas ao zoneamento ecológico, à conservação da floresta de várzea e à adaptação das comunidades amazônicas aos efeitos cada vez mais evidentes das mudanças climáticas.

Foto: Divulgação

 

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