*Por João Carlos Miranda
Redação Especial Zh – Venho por meio desta pedir desculpas aos amazonenses, em nome do povo paulista e, em especial, do de Praia Grande, onde resido e foi eleita a vereadora Eduarda Campopiano. Como representante de minha Cidade a mesma falhou quando fez uma “brincadeira” tosca com nomes de comidas tradicionais do Amazonas.
Ainda bem que não se referiu ao paladar, apenas á linguística dos nomes. Estive no Amazonas entre junho e julho de 2025 e tive a honra e felicidade de estar na Festa de Parintins, em cobertura jornalística pelo site Zerohoraamazonas. Foram 22 dias de descobrimentos culturais e culinárias, com fixação na cultura indígena e lendas amazônicas, e muito especial nos pratos com peixes como Tambaqui, Pirarucu, Matrinxã e bodó.
A nobre edil praiagrandense e seus acompanhantes tiveram um lapso temporal e, em um momento infeliz, esqueceram que estavam na Amazônia, não na Av.Mal. Mallet, local de Praia Grande conhecido por ser um “point” gastronômico. Gostaria que a mesma passasse dois dias viajando pelos rios amazônicos rumo à Parintins, dormindo em rede, conversando com ribeirinhos e demais “locais”, comendo com eles, conhecendo e vivendo a cultura local intensamente como fiz. Simplesmente sensacional!
Entenda a polêmica
Ah! E de Manaus guardo a lembrança de uma metrópole urbana pujante e linda. Posso ainda sentir o cheiro dos Mercados populares da Cidade, o Mercado Municipal Adolpho Lisboa e Mercado Municipal Senador Cunha Melo. Lindos, cheirosos, cheios de temperos, de tradições, um passeio imperdível. E se você estiver “brocado” (brocado ou murocado significa estar com muita fome), sugiro comer o lanche mais clássico de Manaus, que é o X-caboquinho e sucos e/ou vitaminas de frutas diversas, onde destaco o cupuaçu, guaraná, manga e camu-camu, além, claro, do popular Açai. Depois dessa degustação toda, é melhor “ficar de bubuia na rede” (bubuia significa flutuar ou boiar tranquilamente)e curtir a digestão.

Eu entendo a ignorância cultural da vereadora. É que em São Paulo pouco se valoriza a cultura que dá identidade ao paulista. Vivemos uma missigenação linguistica constante, misturando português com palavras de origem negra, índia e estrangeiras, criando gírias. A “lingua” caiçara, por exemplo, que era a forma de falar dos que nasciam nas costas praianas do Estado, atualmente talvez ainda seja usada em alguma comunidade perdida que sinceramente desconheço… Hoje temos só o “paulistanês”, que carrega imperfeições e adaptação, mas não tradição histórica e regional.
Além disso há a questão do viés político e ideológico. O partido pelo qual a senhora vereadora se elegeu tem uma linha ideológica agressiva na questão cultural e não são admirados pelo seu respeito, tanto à parcela mais pobre da população, como à cultura que esta parcela, maioria do país, carrega. São o “Deus, Pátria e Família” de seu grupo social e de sua classe econômica, cristãos onde “bandido bom é bandido morto”, patriotas que querem a subjugação do Brasil a outro país e cuja “tradicional” família me deixa sempre na dúvida: “qual delas?”, afinal ter amantes e/ou divorciar e casar de novo faz parte da tradição. Já quem nção comunga de suas “certezas” são tratados como minorias e como tal “as minorias tem que se curvar à maioria ou então sumir”… Essa palavras não são minhas, talkei?!
Essas pessoas ignoram que a cultura do Amazonas é única no mundo, unindo a imensidão da natureza com exuberantes tradições humanas.
O Amazonas abriga uma imensa diversidade étnica e seus costumes são fortemente ligados às raízes indígenas e seus saberes ancestrais. As comunidades tradicionais protegem a floresta através do conhecimento de seus antepassados e sua riqueza Cultural se manifesta no seu folclore com força através de lendas, da culinária e de festas como o Festival Folclórico de Parintins.
Ah! Gente! Meu coração ainda não consegue decidir entre os dois bois-bumbás — o Boi Caprichoso (cor azul) e o Boi Garantido (cor vermelha). Preciso ir aí e participar outra vez com vocês e resolver este dilema… Também quero ver meu amigo macaquinho safadinho furtador de pirulito lá do passeio do boto, com quem nadarei de novo, se Deus assim me permitir. Grande abraço a todos!
Um grande abraço ao povo amazonense.
- João Carlos Miranda é formado em jornalismo pela UniSantos, acumula diversas experiências no jornalismo digital, especialista em jornalismo político. Atualmente é correspondente em SP do Portal Zero Hora Amazonas

