4 de abril de 2026 | 06:34

Avanço militar do Brasil chama atenção dos EUA e da China após relatório internacional colocar as Forças Armadas entre as mais poderosas do mundo

O novo ranking de poder militar global de 2025, divulgado pelo Global Firepower Index, trouxe uma reviravolta que está repercutindo em toda a comunidade de defesa internacional. O Brasil subiu posições e agora figura entre as 11 forças armadas mais poderosas do planeta, ultrapassando países tradicionais como Alemanha e Irã.

A ascensão brasileira não é apenas simbólica: representa anos de modernização gradual, investimento em tecnologia militar e fortalecimento da indústria nacional de defesa, mesmo com restrições orçamentárias e instabilidade política. O resultado reacende o debate sobre o papel do Brasil como potência militar e diplomática na América Latina.

Forças Armadas Brasileiras sobem no ranking e desafiam potências tradicionais

De acordo com o Global Firepower 2025, o Brasil ocupa o 11º lugar entre 145 países avaliados, ficando à frente de nações com grandes tradições bélicas, como Alemanha (12ª), Irã (13ª) e Austrália (14ª).

No topo da lista estão Estados Unidos, Rússia e China, seguidos por Índia, Coreia do Sul e Reino Unido. A posição do Brasil representa sua melhor colocação desde 2019, consolidando-se como a força militar mais poderosa da América do Sul e do Hemisfério Sul.

O índice avalia mais de 60 critérios, incluindo capacidade de pessoal, número de veículos blindados, frota naval, tecnologia aérea, orçamento e logística. Embora o Brasil ainda enfrente desafios no setor orçamentário, seu desempenho é fortalecido por fatores estratégicos, como:

  • Extensão territorial e capacidade de mobilização regional;
  • Frota aérea crescente com aeronaves como o Gripen E da Saab e o KC-390 da Embraer;
  • A modernização gradual da Marinha do Brasil, com foco em submarinos e fragatas;
  • A atuação do Exército Brasileiro em missões de fronteira e projetos tecnológicos nacionais.

O relatório destaca ainda o avanço da indústria de defesa brasileira, impulsionada por exportações de aeronaves, munições e veículos táticos. Somente em 2025, o país já acumula mais de US$ 1,3 bilhão em exportações militares, segundo dados da Embraer e do Ministério da Defesa.

O caça Gripen E da Força Aérea Brasileira simboliza o salto tecnológico que colocou o Brasil na liderança militar da América do Sul. Com sensores de última geração, capacidade de combate além do alcance visual e integração total com sistemas nacionais, a aeronave supera amplamente todos os caças em operação no continente

Modernização tecnológica e soberania nacional: o segredo por trás da ascensão

Nos bastidores desse crescimento estão investimentos estratégicos em pesquisa, cooperação internacional e autonomia tecnológica.

O programa de caças Gripen E/F, desenvolvido em parceria com a Suécia, trouxe ao país transferência de tecnologia inédita e um salto qualitativo para a Força Aérea Brasileira (FAB).

KC-390 Millennium, fabricado pela Embraer, é hoje considerado um dos cargueiros táticos mais eficientes do mundo e já está sendo exportado para países como Portugal, Hungria e Áustria. Esse avanço reforça o papel da indústria nacional como um vetor de soberania — um ponto que diferencia o Brasil de outras nações emergentes.

Marinha do Brasil também avança com o Programa de Submarinos (PROSUB), em parceria com a França, que inclui o desenvolvimento do futuro submarino nuclear Álvaro Alberto.

Já o Exército Brasileiro investe em veículos blindados, artilharia de longo alcance e em sistemas como o míssil de cruzeiro AV-TM 300, desenvolvido pela Avibras, com alcance superior a 1.000 km.

Especialistas consultados pela Revista Sociedade Militar afirmam que esse conjunto de programas transformou o país em uma força regional com capacidade dissuasória.

Segundo o analista de defesa André Leal, “o Brasil não busca poder ofensivo, mas consolidar uma posição de respeito e autonomia no cenário global. As Forças Armadas estão cada vez mais preparadas para proteger interesses nacionais e fronteiras estratégicas”.

O cargueiro KC-390 Millennium, da Força Aérea Brasileira, e o lançador de foguetes ASTROS II MK6, do Exército, representam a união entre mobilidade aérea e poder de fogo terrestre. Juntos, reforçam a capacidade de projeção e defesa estratégica que coloca o Brasil entre as potências militares do hemisfério sul

Desafios, limitações e o futuro do poder militar brasileiro

Apesar do avanço, o relatório do Global Firepower alerta para fragilidades estruturais que ainda impedem o Brasil de alcançar o top 10. O orçamento de defesa, que gira em torno de 1,2% do PIB, é considerado baixo em comparação com a média global de 2,3%.

Além disso, as forças de prontidão e logística enfrentam carências em manutenção, modernização de equipamentos antigos e substituição de aeronaves da geração anterior.

O país ainda depende parcialmente de importações de componentes eletrônicos e sistemas de defesa cibernética, áreas críticas no campo militar contemporâneo.

Outro desafio é a integração operacional entre Exército, Marinha e Aeronáutica, que avança lentamente. O Brasil tem buscado superar esse obstáculo por meio de exercícios conjuntos — como a Operação Escudo, realizada em 2025 — e programas de interoperabilidade baseados em padrões da OTAN.

Mesmo assim, o avanço é inegável.

Com a expansão da indústria bélica, o fortalecimento das fronteiras e o crescimento da presença internacional, o Brasil está mais perto de consolidar uma posição estratégica global, equilibrando poder militar, diplomacia e autonomia tecnológica.

O resultado do ranking de 2025 envia um recado claro ao mundo:
o Brasil não é mais um espectador no cenário militar internacional — é um ator relevante, com voz própria e capacidade real de dissuasão.

Leia também outras matérias

João Arce visita AMA-AM e destaca desafios enfrentados pela comunidade autista

Redação Zero Hora AM

Aprovados no concurso de 2022 vão integrar área de Segurança Pública no Amazonas

Redação Zero Hora AM

Polícia apreende adolescente acusado de matar neto de Luciano do Valle; veja

Redação Zero Hora AM
Carregando....