A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) está apoiando uma iniciativa inédita coordenada pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento da Amazônia (Idesam): o Desafio Bioinovação Amazônia, que é uma chamada internacional para transformar o conhecimento científico sobre a biodiversidade amazônica em produtos e negócios de impacto global, gerando oportunidades para comunidades tradicionais e para pessoas envolvidas nas cadeias de valor.
A ação, que conta com financiamento do Bezos Earth Fund e outras parcerias estratégicas, entre elas com a Penn State University (EUA), com a Rede Terra do Meio e com a Cooperativa dos Extrativistas do Acre (Coopeacre).
Até o dia 30 de junho, especialistas em P&D com atuação global e inovadores com experiência em biodiversidade amazônica podem inscrever-se para solucionar seis desafios nos setores de alimentos, cosméticos e novos materiais verdes, utilizando matérias-primas como castanha-do-brasil, açaí, andiroba, copaíba, murumuru, buriti, babaçu e borracha nativa.
“Quando universidade, inovação e bioeconomia caminham juntas, quem ganha é toda a Amazônia. A UEA apoia iniciativas que incentivem nossos talentos a transformar pesquisa científica em soluções com potencial de mercado e impacto sustentável.Transformar biodiversidade em inovação sustentável é um dos grandes caminhos para o desenvolvimento da Amazônia”, ressaltou o Prof. Dr. Alcian Pereira de Souza, diretor-executivo da Agência de Inovação da universidade (Agin/UEA).
O que é o Desafio Bioinovação Amazônia?
O programa é estruturado em quatro fases: seleção de talentos (on-line), formação de equipes e desenho da solução (on-line), imersão e validação (residência na Amazônia + on-line) e cerimônia de premiação final (presencial).
A jornada completa inclui uma imersão de 15 dias na Amazônia (cerca de 10 dias em Manaus e 5 dias em comunidades rurais da região, dependendo do desafio), com todos os custos subsidiados.
São seis desafios que abordam temas como valorização de óleos amazônicos (andiroba, copaíba, buriti), desenvolvimento de amidos funcionais de babaçu, aproveitamento de resíduos do açaí, inovação com óleos e manteigas amazônicas, produção de biomateriais a partir da borracha nativa e soluções de sanitização para a cadeia da castanha-do-brasil.
Perfis buscados
A iniciativa busca dois perfis complementares: inovadores com experiência comprovada em biodiversidade amazônica, residência ou atuação profissional na região e interesse em empreendedorismo ou licenciamento de tecnologia – exclusivamente para cidadãos brasileiros; e especialistas em P&D com experiência internacional nos setores de cosméticos, alimentos ou materiais de base biológica, disponíveis para mentoria presencial e remota ao longo do programa.
A chamada selecionará 25 especialistas em P&D e 25 inovadores, que formarão 25 equipes. Ao longo do programa, 10 equipes avançarão para as fases seguintes, recebendo bolsas e suporte técnico para validação das tecnologias e dos negócios.
Ao final, um comitê selecionará os três times vencedores.
Benefícios para os selecionados
Os 10 times que chegarem à fase de imersão receberão um pacote robusto de apoio: bolsas mensais para inovadores de R$ 3.500 a R$ 7.500 por 6 meses, conforme o nível de formação; grants para especialistas em P&D de US$ 650 a US$ 1.300 por mês, durante 6 meses; fundo de validação de R$ 100 mil por equipe para insumos, reagentes e testes; suporte laboratorial do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e do Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA); mentoria especializada em desenvolvimento de produtos, propriedade intelectual, mercado e bioeconomia; passagens e hospedagem em Manaus custeadas pelo programa; e certificado de participação na Residência Científica na Amazônia.
A premiação final ficará assim: 1º lugar: R$ 200 mil; 2º lugar: R$ 150 mil; e 3º lugar: R$ 100 mil.
As três equipes vencedoras também se tornarão parceiras da Zôma, a geradora de negócios do Idesam, recebendo suporte jurídico para adequação à Lei da Biodiversidade, acesso a redes de mercado e acompanhamento estratégico para criação e crescimento dos negócios.
“Para o Idesam é extremamente satisfatório contar com envolvimento da comunidade acadêmica que atua na nossa região. São essas pessoas que conhecem de perto o que estão estudando e podem focar a pesquisa em soluções para destravar as principais cadeias de manejo sustentável da bioeconomia amazônica”, observa Paulo Simonetti, gerente de Inovação do Idesam.
As inscrições podem ser feitas no site oficial https://bit.ly/4mUNUY9, onde também podem ser encontradas mais informações sobre o Desafio Bioinovação Amazônia.
