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23 de julho de 2024 | 04:45

Droga que transforma usuários em ‘zumbis’ tem até anabolizante de cavalo e ácido sulfúrico

Conhecida entre os usuários de entorpecente como ‘droga zumbi’, porque deixa as pessoas em estado catatônico, igual aos zumbis da série de TV Walking Dead, a droga que já chegou a Manaus possui em sua formula até anabolizante para cavalos e ácido sulfúrico.

Nesta semana, em São Paulo, a Polícia Civil apreendeu junto a um grupo de usuários, na cracolândia, uma receita de droga zumbi. Entre traficantes o entorpecente é chamado de k2, k4, k9 ou “spice”.

Doze ingredientes mortais

Com 12 ingredientes e sete passos para preparar a mistura, a listagem de três páginas foi avaliada pelo médico psiquiatra Wilson Lessa Júnior.

Ele também é professor do curso de Medicina da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e membro da Associação Médica Brasileira de Endocanabinologia.

Uma das reações características da droga é o chamado “efeito zumbi”.

Por causa delas, uma facção criminosa que atua em São Paulo proibiu o consumo na região da Cracolândia, no centro de São Paulo.

De acordo com o especialista, esse efeito é provocado pela quetamina de uso veterinário, um anestésico constante na receita apreendida pela polícia.

Além do anestésico, ele destacou a presença do fentanil, um opioide utilizado para combater dores e, em conjunto com outras substâncias, também como anestésico.

Fora do ambiente hospitalar, o uso delas pode ser fatal.

“Essas substância são, inclusive, usadas em centros cirúrgicos, demandando um protocolo de segurança, usado racionalmente dentro do ambiente hospitalar, não como droga de abuso”, explica Wilson Lessa.

“Temos muitos receptores opioides no tronco cerebral. Se eles forem ocupados, a pessoa pode ter uma parada cardiorrespiratória. É morte na certa”, acrescentou.

Dependência e vício relâmpago

O opioide que aparece na receita dos traficantes também contribui para causar alta dependência. Outro ponto preocupante é o preço baixo da droga, o que permite que mais pessoas entrem no vício.

A mistura resultante dos ingredientes, entre os quais ainda há ácido sulfúrico, é borrifada em tabaco, ou mesmo em maconha velha, e vendido como canabinoide sintético, mesmo não tendo nenhum indício da presença deste tipo de molécula na composição.

“Acredito que fazem isso para dar uma falsa ideia de segurança para o usuário. Se falassem a verdade, de que estão vendendo um opioide com risco de morte, talvez teriam mais dificuldade para vender”, afirma o especialista.

Quem criou a receita?

Ele explica ainda que a pessoa que desenvolveu a receita apreendida com os traficantes tem noções de química, pelas quantidades de itens sugeridas, além da diversidade, pois alguns deles ajudam na fixação da droga quando borrifada e, outros, a rebater um eventual mal-estar provocado pelo consumo.

*Com informações do site CNN Brasil

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