Redação Zh – Uma possível alteração no Processo Produtivo Básico (PPB) de televisores com tela de cristal líquido fabricados na Zona Franca de Manaus (ZFM) acendeu um alerta entre trabalhadores e representantes da indústria amazonense. Segundo a Central Única dos Trabalhadores do Amazonas (CUT-AM) e o Sindicato da Indústria de Aparelhos e Componentes Elétricos do Amazonas (SINAEES-AM), a medida pode resultar na perda de quase 12 mil empregos diretos no Polo Industrial de Manaus.
As entidades solicitaram aos governos estadual e federal que intervenham para evitar a aprovação da proposta apresentada na Consulta Pública nº 10/2026, conduzida pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).
De acordo com a CUT-AM, a proposta prevê mudanças no sistema de pontuação utilizado para definir o cumprimento do PPB, permitindo maior utilização de componentes importados e reduzindo a relevância da cadeia produtiva local. O PPB funciona como uma espécie de “receita industrial” que as empresas precisam seguir para ter acesso aos incentivos fiscais da Zona Franca.

A principal preocupação das entidades é que a nova metodologia diminua a exigência de utilização de insumos produzidos no Amazonas, especialmente fios, cabos e chicotes elétricos, considerados fundamentais para a geração de empregos na região.
“A cadeia de fornecimento de componentes, interconexões e chicotes elétricos constitui uma das maiores fontes de empregabilidade e atividade econômica do estado do Amazonas”, destacou a CUT em documento encaminhado ao governo federal.
A produção desses componentes é realizada por grandes empresas instaladas no Polo Industrial de Manaus, entre elas Foxconn, Coelmatic, Constanta da Amazônia, Lite-On, Salcomp, Flex, Jabil, Cal-Comp, Compal, Digitron, Procomp, Qualitech e RD-Tronics.

Para o presidente da CUT-AM, Valdemir Santana, o Amazonas possui capacidade técnica para fabricar os componentes localmente e não deve depender de importações.
“Nós queremos emprego, não queremos trazer nada importado. O estado do Amazonas já fabricou flyback, motores e diversos outros componentes. Temos capacidade técnica para continuar produzindo aqui”, afirmou.
As entidades defendem que o sistema de pontuação seja reequilibrado, tornando obrigatória a utilização de insumos fabricados na própria Zona Franca de Manaus. Também reivindicam participação nos grupos de trabalho e comitês responsáveis pelas decisões relacionadas ao modelo industrial da região.
Nesta semana, Valdemir Santana apresentou as preocupações da categoria ao vice-governador do Amazonas, Serafim Corrêa (PSB), que manifestou apoio à manutenção dos empregos no Polo Industrial.

“Não queremos diminuir empregos, queremos ampliar as oportunidades de trabalho. Estamos alinhados com essa preocupação e apoiamos a proposta apresentada pela CUT-AM”, declarou Serafim.
Procurado pela reportagem, o MDIC informou que todas as contribuições recebidas durante a consulta pública serão analisadas pelo Grupo Técnico Interministerial do Processo Produtivo Básico (GT-PPB), formado pelo MDIC, MCTI e Suframa.

A consulta pública foi encerrada no dia 4 de junho, após 15 dias aberta para manifestações. O governo federal ainda poderá prorrogar o prazo ou avançar para as próximas etapas do processo. Caso a proposta seja aprovada, as alterações serão formalizadas por meio de Portarias Interministeriais e publicadas no Diário Oficial da União.
A Suframa também foi procurada para comentar o tema, mas não havia se manifestado até o fechamento desta matéria.
